O Instituto

“(...) O nosso caro Brasil, tão vasto, tão cheio de riquezas, onde se encontram a cada passo, ao lado de cada atividade, de cada iniciativa, muitas causas inibitórias de origem patológica, está reclamando da ciência a solução de muitos e importantes problemas. É nos laboratórios que se poderá encontrar a solução para estes problemas e daí a necessidade do estabelecimento do maior número de Institutos científicos, que trabalharão ao mesmo tempo nas questões que interessam ao desenvolvimento do País, como na formação de nossos cientistas que, por sua vez, constituirão oportunamente outros tantos centros de atividade científica.(...)”
Vital Brazil, 1919

O Instituto Vital Brazil foi criado em 3 de junho de 1919, em Niterói/RJ. Foi fundado pelo cientista Vital Brazil Mineiro da Campanha (1865-1950). No decreto que o oficializou, o laboratório foi nomeado Instituto de Higiene, Soroterapia e Veterinária. No entanto, desde o primeiro dia de funcionamento, os funcionários do Instituto recusaram o nome oficial e batizaram o novo centro como “Instituto Vital Brazil”, nome que permanece até hoje em homenagem ao fundador.

Vital Brazil escolheu vir a Niterói a convite do Presidente do Estado do Rio de Janeiro daquela época, Raul de Morais Veiga. Naquela época, o Instituto localizava-se na Rua Gavião Peixoto, 360, em Icaraí. Fabricava produtos veterinários, biológicos (soros e vacinas) e farmacêuticos. No entanto, desde sua fundação, Vital Brazil sempre baseou as atividades do Instituto não apenas em produção, mas em pesquisa e formação.

Em 1920, o Instituto Vital Brazil iniciou oficialmente atividades na antiga Olaria Santa Rosa, local aonde se encontra até hoje. Ao redor da ex-Olaria, nasceu o tradicional bairro Vital Brazil, zona sul de Niterói. Neste mesmo ano, Vital Brazil instala em dez cidades do interior do Brasil postos antiofídicos, para facilitar aos interioranos o acesso à informação e a coleta de animais.
A vacina BCG (contra a tuberculose), descoberta por Albert Calmette e Camille Guérin na França, chegou ao nosso país por meio do Instituto. Em 1925, o cientista Vital Brazil recebeu em seus laboratórios de Niterói os testes e ampolas enviados por Calmette e Guérin do Instituto Pasteur, França.

Para prevenir-se das constantes mudanças políticas da década de 1930, Vital Brazil transformou o Instituto em propriedade privada. No entanto, manteve o vínculo com o Governo do Estado, sem alterar a missão de trabalhar única e exclusivamente à saúde pública.

Desde as primeiras décadas de funcionamento, o Instituto ofereceu bolsas de pesquisa a estudantes e desenvolveu uma biblioteca especializada. Grandes herpetólogos, biólogos e pesquisadores passaram pelos laboratórios de Niterói, como Arlindo de Assis, Dorival de Camargo Penteado e Octavio de Morais Veiga.

O atual edifício-sede do Instituto Vital Brazil foi inaugurado em 11 de setembro de 1943, pelo Presidente da República, Getúlio Vargas. O projeto foi assinado pelo engenheiro-arquiteto Álvaro Vital Brazil, filho do cientista Vital Brazil e um dos grandes nomes da arquitetura modernista brasileira.

A construção da nova sede coincidiu com o momento em que o Instituto Vital Brazil encontrava-se numa próspera fase econômica. Desde o final da década de 30, seus produtos atendiam não apenas o mercado estadual, mas também o nacional e o internacional. O Presidente da República, Getúlio Vargas, favorecia investimentos em indústrias nacionais dirigidas por empresários brasileiros. A construção do prédio foi feita com financiamento do Banco do Brasil e o terreno foi doado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Após a morte de Vital Brazil, em 8 de maio de 1950, a direção da empresa passou para as mãos da viúva, Dinah Brazil, sempre auxiliada pelo seu genro, o advogado Álvaro Protásio. Devido às dívidas feitas no período de construção da sede e aos constantes atrasos no pagamento das empresas estatais, principais clientes da instituição, o Instituto Vital Brazil passou por grave crise financeira.

A ampliação das instalações coincidiu também com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, quando houve expansão da indústria farmacêutica multinacional sobre os países do terceiro mundo. O rápido desenvolvimento tecnológico e os preços aplicados pelas empresas multinacionais dificultavam a sobrevivência das indústrias farmacêuticas nacionais. Foram anos difíceis.

Dona Dinah viu-se obrigada a desfazer-se de imóveis e terrenos. Parte da área do Instituto foi loteada e deu origem ao bairro Vital Brazil. Em 1957, a empresa voltou a ser majoritariamente do Governo do Estado do Rio de Janeiro. O processo de venda de parte do Instituto só ocorreu após o Governo do Estado assumir o compromisso de que o Instituto manteria, por toda a sua existência, o modelo idealizado pelo fundador: ser uma instituição de pesquisa, formação e produção de soros, vacinas e remédios. O lema permaneceu.