14/09/2020
Instituto Vital Brazil sai na frente no desenvolvimento de medicamento contra a Covid-19
Soro produzido a partir do plasma de cavalos poderá ser fabricado em larga escala

O Instituto Vital Brazil deu mais um passo em direção ao tratamento da Covid-19. No último dia 21 de agosto, cientistas da Instituição participaram de uma reunião com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para debater a liberação da testagem do soro anticovid-19, produzido a partir do plasma de cavalos, com tecnologia totalmente brasileira.

A expectativa dos pesquisadores é de que os testes sejam autorizados e possam ser iniciados em breve para que, em cerca de dois meses, a fabricação em larga escala do soro contra a Covid-19 comece.

“O experimento com o plasma dos cavalos permite que o tratamento seja produzido em grande escala. Os animais não sofrem com o processo de retirada de plasma e, conseguimos, assim, uma grande quantidade de medicamento disponível”, esclarece Adilson Stolet, presidente do Instituto.

A soroterapia é um tratamento bem-sucedido, usado, há décadas, contra doenças como raiva, tétano e picadas de abelhas, cobras e outros animais peçonhentos como aranhas e escorpiões. Enquanto não existem vacinas aprovadas e, mesmo posteriormente, em virtude da dificuldade em socorrer o mundo inteiro, o uso potencial da imunização passiva por esse tipo de terapia representa uma alternativa ao problema.

"O Instituto Vital Brazil tem capacidade para produzir o quantitativo de cem mil tratamentos por ano. O soro será oferecido gratuitamente na rede pública de saúde, contribuindo na luta contra a doença em todo o país", diz Stolet.  

Os soros produzidos pelo Instituto Vital Brazil têm excelentes resultados de uso clínico, sem histórico de hipersensibilidade ou quaisquer outras eventuais reações adversas. A testagem do novo medicamento ocorrerá em parceria com o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR).

A pesquisa teve início em maio, na Fazenda Vital Brazil, em Cachoeiras de Macacu, quando cavalos foram inoculados com a proteína S recombinante do coronavírus, produzida na Coppe/UFRJ. Depois de 70 dias, o estudo revelou que os plasmas de quatro dos cinco animais apresentaram anticorpos neutralizantes 20 a 50 vezes mais potentes contra o novo vírus do que os plasmas de pessoas que tiveram a doença. O material, então, passa por diversas etapas de produção e testes até tornar-se o soro que será utilizado no combate à Covid-19.

A pesquisa do soro anticovid-19 é uma parceria do Instituto Vital Brazil com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O estudo contou com apoio financeiro da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Sobre o Instituto - O Instituto Vital Brazil completou 100 anos em junho de 2019. É uma empresa de ciência e tecnologia do Governo do Estado do Rio de Janeiro ligado à Secretaria de Estado de Saúde. É um dos 21 laboratórios oficiais brasileiros e um dos quatro fornecedores de soros contra o veneno de animais peçonhentos para o Ministério da Saúde.